quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Corações combinados

E na lógica de toques de dedos e da era da redes existe algo quem vai muito além de corações verdes,                          
Já pensou o por que do verde?
A resposta não deixa de ser musicada, pois no meio de tanta gente chata e sem graça, eu encontrei você! 
Talvez você tenha me trago o silêncio mais "bem dito" desses dias, do tipo que faz refletir com brilho nos olhos vendo uma foto repetidas vezes.    
O coração é verde pra trazer tons de esperança nas pessoas, brilho nos olhares, alegria no caminhar e felicidade no estado de espírito, 
Gosto de tons, sons e sentimentos, não quero que isso vá embora de forma precoce,  
A nossa troca imediata me parece sensata, valendo os riscos de espera e as possibilidades de saudade,
Talvez as expectativas sejam dolorosas e ainda inexplicáveis para algo pouco vivido, 
Todo encontro representa uma espécie de desencontro, há ganhos e perdas, com palavras coloco-me a explicar o que anestesia a alma e acalenta os corações como forma de cura as possíveis dores, 
Toda pergunta representa uma gama de respostas e te "encontrar" vai além dessas dualidades, 
Quando nossos olhos se encontrarem não será preciso buscar palavras, apenas embalo, conforto e abraços apertados! 
Quando, como, se e talvez podem imperar um estado de dúvidas, mas não podem imperar as vontades, as sensações e os sentimentos,
Por hoje, por amanhã e por depois de amanhã, eu quero apenas ter você vivo, verde e presente nesse tempo,
Eu prometi para mim mesmo, não falar de latitude, longitude e questões geográficas, porque esse detalhe só alimenta algo que distancia e esse não é um sentimento possível por hora! 
E me pergunto, será possível mesclar o verde e o vermelho de nossos corações combinados ?



quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Mapa-Múndi

Esqueça as caixas e as conveniências, pois lá se guarda e abafa algo bom que fica no caminho,
Eu jamais faria isso com minha memória...
Eu não quero esquecer a maciez de sua pele e a delicadeza de seus traços,
A beleza do olhar está na profundidade que ele alcança e o seu me traz o frescor de um mar verde água,
Suas nuances são mágicas como a lua e suas fases, cada deslizar representa um mix de descoberta do novo e do velho, do iluminado e do escuro,
Cada segundo naquele tempo imediato representou um arranjo perfeito entre a lua e as estrelas,
Formar um céu iluminado  e influenciar na dinâmica dos mares já é algo que pensei não ser possível com alguém,                  
Parece uma sina, um carma, uma história romântica e realmente pode até ser, já não consigo mensurar que para sentir é preciso se levantar para ascender a chama daquela luz,
É bonito, mágico e até lírico porque simplesmente  se senti sem pensar no tempo, na latitude ou nas expectativas futuras,
Não há necessidade de encontrar abrigo no amanhã, porque o alimento e a vida se faz na beleza dos acontecimentos de outrem,
Eu estou no escuro, existem monstros embaixo da cama, existe um imediatismo que ronda nossa era, existe uma carência quase que depressiva nos nossos olhares, existem atos e produtos por si só, existem ganhos e perdas, existe uma infinidade de coisas que aconteceram há horas e minutos atrás, existe e vão existir tantas outras.
Hoje quero me ater aos seus símbolos, sua voz, seu tom, seu canto de encanto, seu sotaque, seu cheiro, sua pele, seus pelos, sua mão, seu corpo, seu jeito, seu papo, seus olhos verdes, seu cabelo liso, seu abraço, seu todo descoberto naquelas horas perdidas em que me achei. 
Hoje eu acordei e tive um sonho de inúmeras lembranças, viajei embalado pelo seu mapa-mundi, lá não havia encontros tampouco despedidas, por que havia  uma coisa sua em mim e ela é atemporal, não precisa adequar com perguntas ou respostas, dias nem horas!   

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Sentimento acrítico

Uma nova velha história para um novo velho capítulo de um novo velho livro que é a vida,   
Tudo parece estar num círculo vicioso, embora pouco virtuoso nessas repetições,
Ciclos como estações, que vem e vão trazendo sensações e sentimentos,
Embora tudo isso faça parte da vida humana e das relações sociais, vivemos perdidamente presos numa lógica-produção do ter em detrenimento do ser.
O consumo dos sentimentos enquanto produto-mercadoria traz a tona uma lógica vazia do ter, da posse e da apropriação quase indevida de algo que foi feito para ser sentido?
Evidentemente essa é só uma faceta das contradições e implicações dessas relações humanas. Até que ponto refletimos sobre nossas relações? Aí mora um ponto, pensamos e refletimos demais.
Estamos cada vez mais postos a pensar do que simplesmente viver e sentir essas relações, procuramos "definir" um mix entre razão e emoção para tentar viver em equilíbrio-felicidade, como se fosse necessário colocar um problema com fórmula a ser resolvida, para algo que não se equilibra, algo que existe na imperfeição, na inconstância, nas relações de poder e até de dominação, no cotidiano quase tétrico e metódico, algo que não é para ser bonito esteticamente e sim vivido simplesmente. 
Na simples lógica do ter, cria-se a incapacidade do ser, criam-se mentes doentias e corpos arredios às sensações e a pureza dos sentimentos, nos quais perduram o medo e a tristeza como alimentos essenciais da alma e do físico, 
Não há como negar os sentimentos e as sensações, talvez nossa maior confusão seja a de entender porque o ser e o sentir se tornaram tão complexos e é no não entendimento que seguimos querendo ter, porque é mais fácil se apropriar de algo, cobrar algo, atribuir posse, valor e competência do que simplesmente viver algo, sentir, se entregar e se ferrar se for preciso.
Enquanto amar for algo complexo, continuaremos entregues, assim como somos ao sistema, ao consumo e ao vazio, talvez reconhecer no amor,  a pureza, o fraterno, o alimento, o respeito, um sentimento verdadeiramente sem fórmulas, estaremos dando um passo para deixar de seremos corpos dóceis, doentios, medrosos e até maldosos para si e para os outros.
Talvez eu esteja expressando de algum modo um sentimento acrítico ou crítico?  'Sigo Refletindo com algumas respostas'. 

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Assassinato da flor 2

Não há nada de mágico, lírico ou poético nas linhas dessa nota, 
O que eu julguei ser primavera não passava de inverno, mas até os invernos trazem alguma sensação pra corações que pulsam,
As flores se congelaram em meios as nevascas que atingiram essas terras.
Mórbidas, tétricas, incolores, quase plásticas, sustentadas apenas por galhos retorcidos e empobrecidos de vida, as flores levaram a primavera que brotará outrora,
Nas rosas vejo duas facetas do mesmo crime, o vermelho que florescerá a vivez pulsante de sentimentos puros agora traz a tona folhas secas e abastadas numa negritude quase mórbida, expressando na memória olhos ofuscantes e silêncios ensurdecedores, 
A primavera mais fúnebre do meu jardim me fez enterrar umas 30 vezes meu coração num mix de prisão, luta e liberdade. 
Me sinto uma dessas personagens estranhos e diferentes do Tim Burton, pálido e arredio ao mundo e as pessoas, como se em cada ato de enterrar algo fosse tirado sem retorno, como se não restassem mais feixes de luz e esperança, tampouco cor nos sorrisos e olhares, tudo é vazio e nenhum som traz a melodia que preciso para dançar no jogo da vida! 
Não há culpados nesse crime de vida e morte, só não tive cúmplice pra dar vida nem morte,
As flores simplesmente nasceram porque é a lógica da vida e da estação, assim como a morte se fez presente no último suspiro de dor em meios aos flashes brilhantes de uma bela e curta história de jardins.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Cotidiano incolor

Cada passo representa uma gota de sangue deflagrada em meio aos pombos na praça, 
O vermelho é a cor que pulsa aquele caminhar, passos desarranjados se misturam as sentimentos desajustados, 
Ali segue aquele rapaz de tons e sobretons despidos, os olhos eram no tom de castanhas secas e sem brilho, a pele era pálida quase incolor, os passos eram rápidos e longos, o andar era quase num ritmo de fuga, os olhares iam de um lado para o outro carregando a crença de um coração puramente leviano e sem esperança, 
O sangue circulava ralo e as gotas mapeavam seus passos quase sem barulho de vida, a boca cristalizada no sabor amargo da dor, 
Afinal quantos rapazes seguem aquele caminho ?
Em meios aos rapazes, especialmente um segue aquele caminho refletindo que tudo continua ali de alguma forma, continuam os pombos em meio aos passos, os velhos em meio as mesas de jogos, o dia em meio a mecanização da vida e a tristeza em meio aos olhares perdidos no vazio das esquinas, 
Os passos daquele rapaz continuam deflagrando o sangue que jorra em meio as fissuras do corpo e d'alma revelando que no fundo, a solidão é nossa condição em meio a qualquer forma de aconchego,
O vermelho continua vivo, mas a vivez continua morta em meio aos passos daquele cotidiano incolor.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Sentido

Com as estações vem as sensações,
Os sentimentos se condessam em forma de conflitos e emoções,
O vento traz as folhagens marrom blasé em meio a caminhada,
Me sinto selvagem em meio as macieiras devastadas,
Estou no paraíso sombrio porque você não me deixa atravessar pro outro lado,
Eu quero voltar à essência humana, ao amor puramente sentido,
Os dias são como noites sombrias e as noites são como dias fúnebres,
Vivo ouvindo drama, entendendo a razão e sentindo a emoção.
A lua segue rasgando minhas nuances,
Quero fazer a travessia, mais seus olhos negros me deixam hipnotizados e o único brilho que tenho é o da lua me ofuscando,
Alguns acreditam que o amor é a salvação, mas eu não vejo rendido um só coração,  
Tenho o sabor da dor escorrendo levemente pelos lábios machucados, sinto tudo tão intensamente,
Sinto o sal cristalizar as salivas que anseiam seus beijos, assim numa madrugada triste de verão,
Sigo confrontando meus sentimentos as estações e onde está você que não traz meus sentidos de volta?
Não traz calor nem frio, nem o fresco do outono, tampouco as flores da primavera,
Não quero as sensações simplesmente corporais,
Não quero um corpo elétrico em meio as energias puras do universo,
Preciso seguir pela estrada da vida, seja caminhando, voando, viajando, encontrando os sentidos e as sensações, essa é minha loucura sã, essa é minha liberdade presa, essa é minha essência desconstruída, meu caos calmo, meu eu fora de mim, eu simplesmente encontrando a paz da guerra que habita meu ser!

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Tudo de mim

O universo conspira para que você tenha tudo de mim, 
Tudo que simplesmente sobrou de bom de todos esses novembros,
Tudo que nem o mais belo sorriso conseguiu até hoje,
Estive rabiscando nos cantos de folhas e nos blocos de notas sobre todas as estações, Tentando registrar e entender que tudo nem sempre representa o suficiente para as pessoas, 
Estive fragilmente perdido por não poder te dar meu todo, que por hora fragmentou-se aqui dentro, 
Agora tudo o que posso te dar será suficientemente fragmentado, 
O muito talvez seja pouco ou vice-versa, só depende de quem dar e de quem recebi,
Talvez tudo não passe de possibilidades e de trocas fadadas a um começo sem fim, 
Tudo parece ser cármico nessas estações,
Tudo que as estações trazem me faz lembrar você e com saudades eu conto os dias para te ver,
Assim como o fim do dia, tudo vai no minuto seguinte que você se vai, mas retorna com força total com o nascer do sol,
Sem você, tudo parece me remeter ao vazio da solidão que a alma carrega,
Tudo parece mágico quando você dorme feito um anjo numa terra de monstros, 
Tudo parece vivo e alimentado quando você abre seu sorriso, 
Tudo parece se perder nas suas curvas, até eu.
Tudo parece provocação do universo comigo,
Tudo parece testar minhas emoções, 
Tudo me remete a desfazer o jogo que me fizeram acreditar ser o amor,   
Tudo parece cair por terra, pois no fundo carrega a pureza de uma flor no jardim, 
Há sempre exceções para o todo,
Há dias em que você não chega verdadeiramente em mim, dias em que meu peito se esvazia como num fim de tarde silenciosamente fúnebre,
Tudo talvez seja uma forma excessivamente desesperada de tentar lhe ter, mesmo sem reconhecer todas as estações do seu ser,
Tudo talvez faça sentido para mim e quem sabe pra você,  
Tudo talvez seja uma forma de aprender verdadeiramente a superar os egos e as expectativas daquilo que se quer, mas nem sempre se pode ter,
Tudo expressa a forma como se olha para o todo, 
Todo esse seu tudo, mesmo que de exceções, me faz ser um todo cheio de tudo,
Descobri que nem tudo que todos possam me dar, me fará pleno de todas as formas, pois eu nunca poderei dar o todo que se espera e ter o todo que espero!
Tudo em mim vem com as estações,
Tudo em mim é mutável e adaptável,
Tudo em mim varia, floresce, seca, rega, nasce, morre, vive e quem sobreviver ao meu todo, terá a possibilidade de um tudo mais maduro e saboroso, assim como as variadas frutas das quatro estações.