terça-feira, 24 de maio de 2016

Reflexão atemporal

Há um fluxo permanente que movimenta de forma ininterrupta a transformação da realidade existente, 
Vamos de devir? 
Vamos romper o tornar-se, o findar-se e destruir o início e o fim do túnel, a luz não é resposta nem caminho.
Sigo rompendo com o escapismo e com o realismo?


domingo, 27 de dezembro de 2015

Camisa de força de retalhos


Isto não é uma flor.
Isto não é anel de metal. 
Isto não é uma fotografia que aprisiona uma paisagem da natureza. 
Isto não é um conceito fechado e amarrado em sua própria concepção.
Isto é o que você quiser que seja.
Quem foi que definiu vida e morte? 
Quem foi que disse que o verde é da esperança? Que o azul é da calmaria? Que o branco é da paz? E o vermelho da paixão? 
Pense, reflita, desconstrua as coisas prontas e estáticas,
Permita-se a um olhar livre e que vai além do óbvio, 
Livre-se das camisas de força, dos padrões que excluem, dos modelos limitadores, do estético imposto, da gaiola que quer prender seu coração e adequar seu corpo. 
Pense além da realidade que seus olhos vêem, 
Questione as conformidades, 
Aprenda com o silêncio e com as palavras, grite por seu ser se for preciso, 
Deixe sua mente livre pra voar, flutuar e até sonhar, 
Desconfie do certo e do errado, da verdade e da mentira, 
Observe os discursos, as falas e as intenções, tudo tem significado e representa um símbolo,
Questiono a loucura. 
Abuse das perguntas e construa suas respostas,
Critique sua própria crítica, 
Liberte-se da concepção da flor e do anel, 
Construa seus próprios símbolos através de novas possibilidades, 
Isto não é uma flor, isso não é um anel, 
Isto é só o meu eu querendo liberdade pra pensar e refletir sob novos olhares e perspectivas, 
Isto é um sentimento, uma sensação, uma resposta para algo que se vê além da união de uma flor com um anel de metal, 
Esta é minha forma de intervenção, de rasgar a camisa de força, esse é meu reconhecimento de que a visibilidade é uma armadilha, mas também é uma forma de renovação ou até de revolução do meu ser,
Este sou eu, desconstruindo os conceitos e partindo pra uma analogia que não designa concretude, papéis, jogos ou relações de forças entre a flor e o anel,
Este sou eu em minha própria contradição, expressa na multiplicidade de olhares irrestritos, cercado por um sistema que cerceia, oprime, vigia, aprisiona, afoga, sufoca, mata e que te faz ver sentido em todas esses símbolos impostos,
Isto não é uma flor nem um anel, mas sigo acreditando que talvez "isto" possa fazer eu me sentir um humano que ama em complexidade, simplicidade e contradição, um ser nunca desistente e nem resistente as mudanças. 

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Ultraviolência

Em meio à chuva caindo sob a luz do sol nesse fim de tarde,
Eu consigo enxergar claramente sua ultraviolência,
Em meio ao arco-íris escancarado a dois palmos de minhas pupilas,
Eu vejo as cores fortes da sua ultraviolência,
Em meio à caminhada calma num sábado transitório,
Eu flutuo levemente em sua ultraviolência,
Em meio ao jazz e o blues que dão rumo aos meus passos,
Minha alma dança com sua ultraviolência,
Em meios aos gritos que minha mente protagoniza,
Eu me equilibro em sua ultraviolência,
Em meio às nuvens carregadas de raios,
Eu sinto a melancolia cinzenta da sua ultraviolência,
Em meio aos primeiros dias de verão,
Eu sinto o calor da sua ultraviolência,
Em meio à falta de graça desta estação,
Eu sinto o frescor da sua montanha ultraviolenta,
Em meio aos raios do sol que entram pelos feixes da cortina em movimento,
Eu enxergo a parede azul cor de fusca de sua ultraviolência,
Em meio a toalha pendurada e alcançada pelo meu olhar no despertar,
Eu vejo toda ultraviolência do azul royal harmonizado com a dança das pulseiras do bonfim,
Em meio ao grande espetáculo da vida em ação,
Eu te liberto em meu cotidiano de ultraviolência,
Em meio à ultraviolência da "arte" que limita a vida e da vida que imita a arte,
Eu te (des)construo como forma de expressão, sem qualquer tipo de definição e padronização,
Em meio a loucura que é ter conflitos de existência e de vivência,
Eu busco entender essa ultraviolência, que chegou trazendo dor nas mãos, luta com as palavras e guerra com a mente.
Sigo curando as fissuras dessa ultraviolência e é só de forma ultraviolenta que consigo estar vivo em vida.
Sigo harmonizando essa ultraviolência ao meu cotidiano,
Sigo constituindo de forma ultraviolenta os sentimentos, as sensações e as emoções, talvez isso tudo tenha limites, do tipo com começo, meio e fim.

Ultraviolence "expressão muito utilizada por um personagem do filme Laranja Mecânica, além do nome de uma faixa musical e do álbum ultraviolence (2014) de Lana del Rey."

sábado, 19 de dezembro de 2015

Ponto tênue

Existe uma linha tênue entre as estações e os sentimentos, 
Não que seja necessário demarcar onde começa e onde termina essa relação de múltiplas expressões, 
É preciso observar os aspectos de cada estação sob o prisma das sensações, 
É preciso defrontar-se com os limites do que se pode ver, viver e absorver de cada uma delas, 
Até que ponto podemos absorver a força da luz do sol de verão?
Até que ponto podemos cobrir as árvores despidas no outono?
Até que ponto podemos sentir o frio rasgando nossos lábios no inverno?
Até que ponto podemos sentir a beleza de um jardim de flores que machucam e remediam em pleno ar primaveril?
Até que ponto podemos refletir e unir as estações aos sentimentos,
Certo dia eu escrevi "as estações são como os sentimentos, despertam ciclicamente diferentes sensações e emoções."
Até que ponto podemos pontuar e partir para uma nova frase ou fase de reflexão?
Até que ponto... só temos o ponto para refletir?
Até que...
Ponto?
...Reflexão e. ou até que. 


terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Achados e perdidos

Não entendo todas as coisas da vida,
Mas entendo que há coisas na vida que vão além da morte...
A morte em vida é a pior das mortes e,
A vida em morte é só uma questão de sorte ou talvez de morte,
De certo, é só o amor entre a vida e a morte, 
Assim o resto não passa de uma grande confusão ou talvez ilusão.

19/05/15; 16h05m

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Crescer realista

Os tecidos foram rasgados e a alma fora arranhada,
As borboletas seguem voando a solta no meu estômago,
Os egos estão vivos e não cessam as lutas que travo, eles surgem para mover meu caos trazendo uma espécie de medo do outrem,
As tintas e os tecidos seguem tingidos de cores simbólicas,
O céu não está azul e o dia não está branco,
A vivez segue carregando pitadas de tristeza e os corações pulsam em bandejas,
O castelo continua branco, ainda que de areia,
Os verbos conjugáveis são inegáveis em meu vocabulário sentimental,
O sentimento é puro, mas as palavras são poucas,
Poucas talvez, pois não me valho de boa capacidade reflexiva no momento,
Meu corpo reclama abrigo, minha alma reclama ascensão, eu reclamo com pesar,
Foi apenas um dia de surpresas fúnebres, suplantadas na profundidade da construção de intimidades.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

O menino da bicicleta

Era uma segunda-feira plácida e rotineira,
O sinal estava aberto e o peito cheio de esperança,
Atravessei a rua em meio a neblina esfumaçante daquela manhã,
O vento cortava os sinos vagarosamente,
Eis que surge você,
A rua trazia o som de leves pedaladas,
A bicicleta era azul,
O cabelo era negro,
O coração era rubro,
A mochila era branca,
Os meus olhos ardiam em fogo,
O coração parecia voar que nem pássaro,
O sinal ficou verde e você passou,
Eis que acordei e a realidade se deflagrou,
Era um sonho,
Eu era daltônico,
E nessa história só me vale estar na situação da pessoa de narração.