quarta-feira, 25 de março de 2015

Cem dias

A cada novo encontro meu coração se põe a chorar sangue, pois no fundo ele sabe onde queria estar, 
Você fez eu me sentir Vênus numa história mitológica,  
Procurei em cada corpo, rosto, traços, braços e abraços a pele que me remete seu abrigo, mas não encontrei.
Observar alguém dormir nunca mais vai ser igual, pois vendo você os segundos pareciam não terminar e as horas se tornavam minutos, 
A pureza e o silêncio presentes em seu sono me fez respirar de forma única, era um tipo de ar que enchia o peito e preenchia a alma,
Minha pele queria o seu toque e era algo que o coração não poderia recusar, 
Não tivemos uma história romântica como nos contos de fadas, mas foi mágico e me fez viajar pelo universo dos sentimentos,
Não posso esperar um futuro para o que já findou, mas me permito sentir uma infinidade de emoções,
Existem espaços não preenchidos, minha cama chora pela neutralidade de cheiro e meu travesseiro grita a falta de calor do seu pescoço,  
Há um guerra fria em mim, pareço firme e curado, mas na verdade estou quente e ferido, trabalho silenciosamente as melhores estratégias para vencer essa luta que é esquecer você,  
Não sei quantos dias serão necessários para eu curar e superar o vazio no sentido amplo da coisa, 
Acho que tive um sonho realista ou surrealista, como se tivesse vendo um filme que contava histórias de dias felizes resumidos em aproximadamente cem dias que estive com você.  
Refleti e afinal não era filme, nem sonho, tampouco história,  era só saudade mesmo. 

  

domingo, 8 de março de 2015

Domingos

Os dias se vão numa velocidade constrangedora,  
Na verdade nem ligo porque amo a noite,
Só que entre o dia e a noite temos o entardecer,     
E essa transição é de enlouquecer,  
É quando a luz não se ausenta totalmente e nem se faz presente, 
Gosto de dias nublados à branco, mas essa transição do cinza ao grafite é muito triste,
Eu fico procurando uma cor de luz e alegria, um tom de inspiração, isso parece uma prisão,  
Deitado desse lado da cama, a vida parece me empurrar no abismo, 
Em dias assim, sangro sem lutar,
A única luta que venço é a de colocar alguns palavras no papel, 
Palavras borradas e lágrimas cristalizadas, O pulso pulsa ao som de body eletric,
Alguns espamos musculares,  
Algumas estrelas surgindo, 
A refrescância fúnebre e silenciosa da noite finalmente chega em meu peito,  
Não tenho medo dessa tristeza reflexiva dos domingos, eu tenho de mim! 
Só não quero ficar deitado esperando uma morte confortante num mundinho de fachada  e de pessoas infelizes,  
Quero levantar e viajar para as estrelas e me constranger com o silêncio da reflexão  e não do vazio das tardes de domingo... 

sexta-feira, 6 de março de 2015

Cotidiano embriagado

Minha vida deveria ser hilária, 
Minha vida deveria ser...
Mas eu nem consigo escrever,
O vento no quarto é de ensurdecer,
A dança da cortina se faz na surdina, 
A luz que entra sem bater, bate ao entrar, 
Um rosto deflagrado de desilusão,
Uma rotina ilusoriamente massacrante, 
Entre a janela e as nuvens não há pássaros, pois já é tarde, 
Alguns vão entender esse vazio que o cotidiano pode trazer...
Quando não consigo enxergar os tons de vida, fico a pensar, o que será? O que será?
As fitas do Bonfim se lançam fora da janela, levando as cores da aquarela, 
O céu segue provocantemente azul, a janela segue portal, o quarto segue penetrado de feixes de vida e de espadas de luz.
E a vida? Segue cotidianamente embriagada de reflexão com pitadas de desilusão.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Garoto do interior

Todos vocês dizem que sou um garoto bom e do bem, 
Mas isso nunca é suficiente, baby! 
Eu posso tocar quase tudo, mas o que mais quero não é, não existe e não tem por perto,
Não há jardim que suporte um verão de tempestades, 
Não há coração que sobreviva as brisas congelantes pra quem está perdido nas estações,
Eu poderia morar pra sempre dentro de você, senão fosse tão jovem e velho,
Uns nascem para ouvir música deprimente, decadente, melancólica e contemporânea,
Outros se embalam nos ritmos quentes, passinhos coreografados e de nostalgia tom vintage. 
Talvez isso não seja da minha geração, talvez eu nem seja dessa geração, 
Talvez eu só seja mais um garoto-homem do interior querendo descobrir o que há lá fora, 
Um garoto com coração que arde em chamas e a pele em sabores agridoces, 
De um jardim que floresce no interior de emoções em meio a olhos brilhantes e coração pulsante,
Isso é tão inspirador para mim, que pareço estar em frente ao mar numa tarde de outono de poucos sons e muitas aves,
Há uma terra de liberdade em meus pensamentos e eu tenho escolhido pensar apenas em você, 
Mas isso nunca é suficiente, baby! 
Afinal todos dizem que continuo sendo um garoto bom e do bem, só que cada vez mais imerso em chamas e com o brilho fortemente reluzente, assim como minha pedra...
Até quando produziremos romances metanfetamínicos?
Até quando suportaremos os efeitos passageiros dessas paixões viciantes e desses amores inibidores de pura vivência. 
Até quando faremos questão de se descobrir e quase que nunca se permitir.
Até quando polarizaremos fogo e água, mar e vento, chuva e sol, tristeza e felicidade, lua e estrelas, 
Até quando seremos apenas garotos do interior? 
Garotos empoeirados com uma pura esperança de algo que não foi puramente vivido. 
Garotos que sonham utopias de uma vida vinda do interior de seus interiores, expandida para além do se e para dentro do ser. 




segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

O que não tem título nem nunca terá

Tudo que é imaginável, existe, é e tem,
Pode parecer que utilizo jardins para explicar sentimentos mal resolvidos e talvez palpáveis,
Uma retórica necessária, quase letal a um coração que acumula inúmeras tentativas de florescer,
Preciso falar de jardins, pois lá mora a parte mais bela e admirável do meu paraíso,
Meu jardim está florescendo fora da estação!? Sabe-se que sou desajustado e desarranjado quando o assunto é cultivar jardins, 
Eis que cultivei uma árvore bem verde e com galhos fortes,  pois você me trouxe um tipo de esperança única,                                  
Construí um balanço pitoresco entre as margaridas de tom branco algodão e da grama verde musgo, 
Nele eu espero essa espera que impera para eu lhe ter novamente,
Sigo balançando de olhos fechados entre as idas e vindas das cordas, os pássaros cantam e os galhos fazem um rugido quase melancólico devido o atrito com as cordas,
Abro os olhos e logo acima encontro seu olhar, mesclado em diferentes tons de brilho e medo, assim como num céu azul levemente preenchido de nuvens de chuva,
Me volto a frente e vejo o horizonte que me traz uma angustia tétrica devido essa distância fisicamente presente,
Me volto à esquerda para conseguir mais impulso, sigo balançando para junto de ti, as pernas estão livres e os pensamentos voam com destino certo, você! 
Me volto à direta e a cor que prevalece é o verde, o verde de folhas que caem lentamente sobre a grama pontiaguda, o verde que me traz a esperança e a cor preferida em meio a beleza dos seus olhos,
Me volto ao chão e logo a frente estão as margaridas de vivez e luz reluzentes, vou diminuindo a velocidade, como quem precisa parar e se encontrar...
Peço licença à natureza do meu jardim e retiro uma flor de margarida,  fico ali desfolhando_a até descobrir se o próximo encontro vai existir em meios as muitas horas sem você,
Aquelas mesmas que cismam em voar quando estamos pertos e  em estagnar quando estamos longes.
Como eu disse ao início, você é imaginável, existe, é e tem... E ainda está vivo de alguma forma em mim, ainda é bela ao ponto de colorir meu jardim de tons verdes e azuis até a próxima "estação".

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Corações combinados

E na lógica do toques de dedos e da era de redes existe algo quem vai muito além de corações verdes,    
Já pensou o por que do verde?
A resposta não deixa de ser musicada, pois em meio a tanta gente chata e sem graça, eu encontrei você! 
Talvez você tenha me trago o silêncio mais "bendito" desses dias, do tipo que faz refletir com brilho nos olhos, vendo uma foto repetidas vezes.    
O coração é verde pra trazer tons de esperança nas pessoas, brilho nos olhares, alegria no caminhar e felicidade no estado de espírito, 
Gosto de tons, sons e sentimentos, não quero que isso vá embora de forma precoce,  
A nossa troca imediata me parece sensata, valendo os riscos de espera e as possibilidades de saudade,
Talvez as expectativas sejam dolorosas e ainda inexplicáveis para algo pouco vivido, 
Todo encontro representa uma espécie de desencontro, há ganhos e perdas, com palavras coloco-me a explicar o que anestesia a alma e acalenta os corações como forma de cura as possíveis dores, 
Toda pergunta representa uma gama de respostas e te "encontrar" vai além dessas dualidades, 
Quando nossos olhos se encontrarem não será preciso buscar palavras, apenas embalo, conforto e abraços apertados! 
Quando, como, se e talvez podem imperar um estado de dúvidas, mas não podem imperar as vontades, as sensações e os sentimentos,
Por hoje, por amanhã e por depois de amanhã, eu quero apenas ter você vivo, verde e presente nesse tempo,
Eu prometi para mim mesmo, não falar de latitude, longitude e questões geográficas, porque esse detalhe só alimenta algo que distancia e esse não é um sentimento possível por hora! 
E me pergunto, será possível mesclar o verde e o vermelho de nossos corações combinados ?



quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Mapa-Mundi

Esqueça as caixas e as conveniências, pois lá se guarda e abafa algo bom que fica no caminho,
Eu jamais faria isso com minha memória...
Eu não quero esquecer a maciez de sua pele e a delicadeza de seus traços,
A beleza do olhar está na profundidade que ele alcança e o seu me traz o frescor de um mar verde água,
Suas nuances são mágicas como a lua e suas fases, cada deslizar representa um mix de descoberta do novo e do velho, do iluminado e do escuro,
Cada segundo naquele tempo imediato representou um arranjo perfeito entre a lua e as estrelas,
Formar um céu iluminado e influenciar na dinâmica dos mares já é algo que pensei não ser possível com alguém,                  
Parece uma sina, um carma, uma história romântica e realmente pode até ser, já não consigo mensurar que para sentir é preciso se levantar para ascender a chama daquela luz,
É bonito, mágico e até lírico porque simplesmente se senti sem pensar no tempo, na latitude ou nas expectativas futuras,
Não há necessidade de encontrar abrigo no amanhã, porque o alimento e a vida se faz na beleza dos acontecimentos de outrem,
Eu estou no escuro, existem monstros embaixo da cama, existe um imediatismo que ronda nossa era, existe uma carência quase que depressiva em nossos olhares, existem atos e produtos por si só, existem ganhos e perdas, existe uma infinidade de coisas que aconteceram há horas e minutos atrás, existe e vão existir tantas outras.
Hoje quero me ater aos seus símbolos, sua voz, seu tom, seu canto de encanto, seu sotaque, seu cheiro, sua pele, seus pelos, sua mão, seu corpo, seu jeito, seu papo, seus olhos verdes, seu cabelo liso, seu abraço, seu todo descoberto naquelas horas perdidas em que me achei. 
Hoje eu acordei e tive um sonho de inúmeras lembranças, viajei embalado pelo seu mapa-mundi, lá não havia encontros tampouco despedidas, por que havia  uma coisa sua em mim e ela é atemporal, não precisa adequar com perguntas ou respostas, dias nem horas!