quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Primaveril

Nosso papo parece um sarau,
Nossa vida estendida no varal,
As roupas não tem cor,
Os pregadores são feito flor,
A gente está pendurado, enquanto nos obrigam a evoluir, a secar!
A gente já nem é mais roupa,
Porque nossa atenção tá no chão,
Tá no verde, na formiga, na terra.
Essa é nossa evolução,  
A alma sente a brisa,
O corpo sente a ventania.
E você o q sente?
Sinto que só o amor em todas suas formas poderá nos salvar.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Indulgência e Transmutação

Faz algum tempo que não apareço por aqui, o tempo é algo que nos consome, assim como o cotidiano.
Hoje é um dia especial, na verdade é um mês especial pra gente. 
Foram por esses dias do mês que a gente se aproximou, que os papos aconteceram, que descobrimentos os gostos similares, que partilhamos os ideais nas falas, músicas e vivências da vida.
Foram conversas despretensiosas que despertaram nossa aproximação, foi "castellando" que enxergamos alguma forma de encontro. 
Hoje é dia 22, talvez o início de todo contato nesse plano material e terreno, porque certamente o nosso não começou aqui nem nesse momento. 
Só tenho a agradecer ao universo por me permitir celebrar um ano de certezas e encontros, de almas que escolheram um caminho para traçar, dessa caminhada pelo belo jardim da vida eterna e da evolução espiritual.
Certamente, o amor é um alimento importante para cada passo que damos, ele nos eleva para outros planos, que incluem sonhos, construções, sentimentos, o crescer, o ser, algo que supera qualquer forma material acumulativa. 
Hoje celebro nossa capacidade de estar juntos, mesmo com toda distância física e todas características e diferenças vividas  por nós nesta materialidade.
Hoje celebro mais que uma data, 12 meses, 365 dias, celebro um suspiro, um sorriso, um cheiro, uma lembrança, um sopro, um vento. Estou certo que o ser eterno mora no encontro que não mensura apenas o passado, presente e futuro, claro que sou saudade, mas meu amor rompe essas necessidades mundanas, e o que se celebra vai além das datas. 
Espero que sejamos plenos, inteiros e cúmplices, que o respeito, a doação, o companheirismo e o amor mova nossas atitudes um com outro e para com o mundo. 
Se eu pudesse resumir em uma palavra, a minha evolução partilhada junto a ti, mencionaria a palavra "indulgência", que não precisa ser explicada, apenas praticada em ato (e como tento ser).
Hoje eu fecho o 22, sem poder conversar e estar junto fisicamente, mas sempre com o coração e o pensamento em ti e em nós.
Abro com poucas palavras, mais que o resumo de um sentimento, abro-me em feixes de luz, em reflexão e comunhão com meus ideais, o ato de agradecer de corpo e alma a toda luz e bem que partilhamos nessa vida.
Minha alma expressa em forma de palavra, os sentimentos que promovem a paz e a luz do meu ser. Obrigado, Sinto muito, Eu te amo e sou grato.

Beijos astrais e abraços de luz.
Escritos do meu diário (22/08/2016)

terça-feira, 24 de maio de 2016

Reflexão atemporal

Há um fluxo permanente que movimenta de forma ininterrupta a transformação da realidade existente, 
Vamos de devir? 
Vamos romper o tornar-se, o findar-se e destruir o início e o fim do túnel, a luz não é resposta nem caminho.
Sigo rompendo com o escapismo e com o realismo?


domingo, 27 de dezembro de 2015

Camisa de força de retalhos


Isto não é uma flor.
Isto não é anel de metal. 
Isto não é uma fotografia que aprisiona uma paisagem da natureza. 
Isto não é um conceito fechado e amarrado em sua própria concepção.
Isto é o que você quiser que seja.
Quem foi que definiu vida e morte? 
Quem foi que disse que o verde é da esperança? Que o azul é da calmaria? Que o branco é da paz? E o vermelho da paixão? 
Pense, reflita, desconstrua as coisas prontas e estáticas,
Permita-se a um olhar livre e que vai além do óbvio, 
Livre-se das camisas de força, dos padrões que excluem, dos modelos limitadores, do estético imposto, da gaiola que quer prender seu coração e adequar seu corpo. 
Pense além da realidade que seus olhos vêem, 
Questione as conformidades, 
Aprenda com o silêncio e com as palavras, grite por seu ser se for preciso, 
Deixe sua mente livre pra voar, flutuar e até sonhar, 
Desconfie do certo e do errado, da verdade e da mentira, 
Observe os discursos, as falas e as intenções, tudo tem significado e representa um símbolo,
Questiono a loucura. 
Abuse das perguntas e construa suas respostas,
Critique sua própria crítica, 
Liberte-se da concepção da flor e do anel, 
Construa seus próprios símbolos através de novas possibilidades, 
Isto não é uma flor, isso não é um anel, 
Isto é só o meu eu querendo liberdade pra pensar e refletir sob novos olhares e perspectivas, 
Isto é um sentimento, uma sensação, uma resposta para algo que se vê além da união de uma flor com um anel de metal, 
Esta é minha forma de intervenção, de rasgar a camisa de força, esse é meu reconhecimento de que a visibilidade é uma armadilha, mas também é uma forma de renovação ou até de revolução do meu ser,
Este sou eu, desconstruindo os conceitos e partindo pra uma analogia que não designa concretude, papéis, jogos ou relações de forças entre a flor e o anel,
Este sou eu em minha própria contradição, expressa na multiplicidade de olhares irrestritos, cercado por um sistema que cerceia, oprime, vigia, aprisiona, afoga, sufoca, mata e que te faz ver sentido em todas esses símbolos impostos,
Isto não é uma flor nem um anel, mas sigo acreditando que talvez "isto" possa fazer eu me sentir um humano que ama em complexidade, simplicidade e contradição, um ser nunca desistente e nem resistente as mudanças. 

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Ultraviolência

Em meio à chuva caindo sob a luz do sol nesse fim de tarde,
Eu consigo enxergar claramente sua ultraviolência,
Em meio ao arco-íris escancarado a dois palmos de minhas pupilas,
Eu vejo as cores fortes da sua ultraviolência,
Em meio à caminhada calma num sábado transitório,
Eu flutuo levemente em sua ultraviolência,
Em meio ao jazz e o blues que dão rumo aos meus passos,
Minha alma dança com sua ultraviolência,
Em meios aos gritos que minha mente protagoniza,
Eu me equilibro em sua ultraviolência,
Em meio às nuvens carregadas de raios,
Eu sinto a melancolia cinzenta da sua ultraviolência,
Em meio aos primeiros dias de verão,
Eu sinto o calor da sua ultraviolência,
Em meio à falta de graça desta estação,
Eu sinto o frescor da sua montanha ultraviolenta,
Em meio aos raios do sol que entram pelos feixes da cortina em movimento,
Eu enxergo a parede azul cor de fusca de sua ultraviolência,
Em meio a toalha pendurada e alcançada pelo meu olhar no despertar,
Eu vejo toda ultraviolência do azul royal harmonizado com a dança das pulseiras do bonfim,
Em meio ao grande espetáculo da vida em ação,
Eu te liberto em meu cotidiano de ultraviolência,
Em meio à ultraviolência da "arte" que limita a vida e da vida que imita a arte,
Eu te (des)construo como forma de expressão, sem qualquer tipo de definição e padronização,
Em meio a loucura que é ter conflitos de existência e de vivência,
Eu busco entender essa ultraviolência, que chegou trazendo dor nas mãos, luta com as palavras e guerra com a mente.
Sigo curando as fissuras dessa ultraviolência e é só de forma ultraviolenta que consigo estar vivo em vida.
Sigo harmonizando essa ultraviolência ao meu cotidiano,
Sigo constituindo de forma ultraviolenta os sentimentos, as sensações e as emoções, talvez isso tudo tenha limites, do tipo com começo, meio e fim.

Ultraviolence "expressão muito utilizada por um personagem do filme Laranja Mecânica, além do nome de uma faixa musical e do álbum ultraviolence (2014) de Lana del Rey."

sábado, 19 de dezembro de 2015

Ponto tênue

Existe uma linha tênue entre as estações e os sentimentos, 
Não que seja necessário demarcar onde começa e onde termina essa relação de múltiplas expressões, 
É preciso observar os aspectos de cada estação sob o prisma das sensações, 
É preciso defrontar-se com os limites do que se pode ver, viver e absorver de cada uma delas, 
Até que ponto podemos absorver a força da luz do sol de verão?
Até que ponto podemos cobrir as árvores despidas no outono?
Até que ponto podemos sentir o frio rasgando nossos lábios no inverno?
Até que ponto podemos sentir a beleza de um jardim de flores que machucam e remediam em pleno ar primaveril?
Até que ponto podemos refletir e unir as estações aos sentimentos,
Certo dia eu escrevi "as estações são como os sentimentos, despertam ciclicamente diferentes sensações e emoções."
Até que ponto podemos pontuar e partir para uma nova frase ou fase de reflexão?
Até que ponto... só temos o ponto para refletir?
Até que...
Ponto?
...Reflexão e. ou até que. 


terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Achados e perdidos

Não entendo todas as coisas da vida,
Mas entendo que há coisas na vida que vão além da morte...
A morte em vida é a pior das mortes e,
A vida em morte é só uma questão de sorte ou talvez de morte,
De certo, é só o amor entre a vida e a morte, 
Assim o resto não passa de uma grande confusão ou talvez ilusão.

19/05/15; 16h05m