sexta-feira, 4 de abril de 2014

Constelação

Eis que uma flor nasce do prazer de não lhe ter, prazer que me faz sobreviver sem você,
A terra liberta qualquer acorrentar que o mundo possa querer me mostrar,
Eis que há um céu que brilha sem estrelas, um céu sem tom, incompleto,
Um canto de desencanto ecoa da dor que cerca meu coração,
No fundo eu canto para adormecer e matar a saudade que faz chorar,
Os astros me contaram que você virou estrela, mas não habita mais essas terras,
O sol iluminou o dia, o orvalho regou a flor, o mar derivou a jangada, o outono secou meu respirar e amor porque devo cultivar?
As palavras ao mesmo tempo que me entregam, me libertam ao ar para que eu finalmente possa voar,
O voar inclui borboletas, só compreendi esse pensar, quem vai além do se apaixonar,
Eis que voar é superar o estômago e seu vomitar, voar é deixar o brilho do olho afrontar qualquer incerteza,
Eis que voar é superar as incertezas do amor, o medo do ar e da altura que se faz olhar de lá,
Eis que virar estrela é voar, é subir para além de qualquer canto ou lugar,
Eis que voamos para virar estrela e realmente viramos,
Eis que o sol não pode encontrar a lua, tampouco o mar,
Eis que pensei numa constelação que poderíamos formar, tamanha a imensidão e a beleza de te amar,
Eis que a luz era tão forte que meu olhar começou desfocar e ofuscar meu ato de constelar,
Eis que virar estrela é morrer e ao mesmo tempo reviver, é partir rumo ao infinito,
Vou-me sozinho, é na dor e na falta do seu olhar que tento me libertar,
Eis que preciso partir sozinho, os feixes de luz que partiram de você me faz virar estrela e aprender a brilhar, isso está além de amar,
Não preciso de palavras para confirmar que a energia está no ar e sinto a força reciproca dessa troca de admiração.
Eis que para formar uma constelação é preciso ter estrelas, eis que estamos matéria, separados de corpo, mas a energia e a luz que me cerca sempre vai lhe carregar, isso nenhum astro precisa me falar...
Nossa constelação sempre vai formar a figura do coração no queijo, isso ninguém vai mudar!
Sei que para amar é preciso dois lados partilhar, mas sinto que virei estrela e agora consigo me iluminar e brilhar, pena que sem você para formar uma bela constelação. 

sexta-feira, 21 de março de 2014

Estrela

O peito é só vazio quando a saudade aperta...
Posso negar com um sorriso amarelo caramelo, 
Afirmar que é a boca está doce, enquanto na verdade o sabor é de amargor, 
Posso afogar minha dor no álcool, numa música ou noutro desamor, 
O que me resta é assistir um filme idealista ou quem sabe memorialista, 
Muitas coisas são previsíveis como viver e tocar em frente,
Outras imprescindíveis como a saudade que me fez vale tudo que aprendi com você, 
Olho pro céu e tenho esperança, assim como uma criança,
A falta que você me faz vai muito além dos desejos da carne, 
Sou carnívoro, tenho desejos, sou corpo e isso é condição,
Mas sou alma, sou coração, sou emoção e isso transcende qualquer questão, 
Na verdade sinto falta do que você representa enquanto ser...
Eu confesso, sinto falta de você, de sua luz, de seu brilho e do sorriso,
Somos seres físicos e espirituais, estamos aqui para apreender e boa parte do que eu precisava ver, veio com você!
Sou corpo e alma, sou fusão, confusão nessa imensidão do universo, 
Quando me falta você físico, olho pro céu reluzente de estrelas e uma, apenas uma me completa, aquela que brilha mais em meus olhos, aquela que representa a luz e a clareza, assim como se eu estivesse no Mito da caverna de Platão e aquela estrela é você! 
Eu preciso viver sem você físico, claramente estou aprendendo como devo fazer, mas não me esqueço nunca o quanto você me fez amar viver. 
Posso e serei outro no futuro, mas o que eu guardo de você é tão puro que nada vai me fazer esquecer.
Isso é amor, amor que vai além dos clichês, das plantas, das borboletas ou das bocas.  
Amor que leva sem ter, leva histórias, memórias e aprendizagem...Amor que transcende a fronteira de estar com você! 

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

JAMES JEANS

Sinto-a entrando pelas veias e percorrendo como em teias,
Sinto o gosto, composto de reação e reflexão,
Sinto uma voz que me rodeia, o coração acelera e ela corre pelas minhas veias, 
Sinto que você me trouxe uma certa rebeldia à James Dean, 
Olha para esse jeans, rasgado e mal passado, ele nem combina com você, ele nem é seu, James!
James, seu rostinho pode até ser bonito à moda Dean, mas seu jeans é tão rasgado que já é quase bermudinha.
James, talvez você seja um ícone cultural da "unificação", a verdadeira personificação das modinhas contemporâneas, talvez seja James, nunca Dean!
James você é uma droga, até vicia, assim como o amor, que é bom, mas no geral sempre deixa a gente no chão.
James você é uma farsa, a morte é mais refrescante que você!
James Dean, eu te amaria até os fins dos tempos, mesmo preferindo o Marlon Brando, 
James, nunca achei que fosse viciante, mas eu até gostei do seu jogo de amor, pois foi o que você fez, jogou!
James, sinto-a entrando novamente pelas veias e me levando para uma terra de encanto.
James, a culpa não é sua, eu que errei em acreditar no amor da flor e do espinho.
Você sempre será James, com as mesmas as histórias, discursos, sorriso cativante e olhar compenetrante.
James Dean, Amy Winehouse, Lana Del Rey, percebo como você não é nada perto deles, James!
James sem Dean, acreditei no blá, blá de suas palavras e no seu mundo encantado,
James, você é uma droga, que não consigo me livrar, meus pensamentos me levam a você, você é um vício!
James, você não é ruim e não queira me entender, apenas se contente com meu Jeans, antes que ele vire bermuda.
James, não seja nostálgico, essa modinha não combina com você.
Enquanto James tenta ser Dean com meu Jeans, eu tento ter menos James dentro de mim, vou ouvindo o som de Blue Jeans, James parece ficar longe, mas na verdade está aqui dentro de mim.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Vagueando por esses cantos

Caminhando, cantarolando e vagueando por essas ruas,
Ruas que tantas vezes me levaram a ti e até mesmo a mim,
Ruas de encontros e por vezes desencontros,
Ruas em que canto, conto e não mais me encanto, 
Ruas vazias de canto a canto,
Ruas que meu canto não serve de ponto,
Ruas sem brilho, calçada do desencanto, portão do silêncio e tristeza nesses cantos,
Rua e ladeira, sorriso e choro, felicidade e triste, encontro e despedida,
Essa rua já teve um ponto, o ponto!
Caminhei buscando esse ponto e não encontro num só canto, 
Esse ponto de luz e de brilho só encontrei num só canto,
Sei que esse ponto é como um pássaro, que voa para outros cantos,
Enquanto eu canto passando por esse ponto, no fundo me encontro,
Por vezes passei por esse ponto sem ver o quanto ele era meu encanto,
Hoje passo nesse canto e não há mais ponto, tampouco encanto,
Mas em certo ponto, muitas coisas ficaram desses encontros,
Para encontrar esse ponto, eu canto, mesmo que num singelo pranto,
Não peço para vida amenizar e esquecer o canto, o pranto e os encontros, porque neles eu me encontro,
Esse caminhar seja de dor ou clamor é sempre com amor,
Com essa herança eu canto, eu busco o ponto, lembro dos encontros e isso não quero esquecer!
Lembro que a vida não me deixou ir nesses cantos nem desvendar seus encantos,
A minha herança para você, é ser um ponto ou canto, um feixe de memória, uma coisa boa que se guarda na caixa de decoração mais bonita e é isso que eu canto caminhando por esses pontos.
Estar guardado nessa caixa faz parte do encontro ou desencontro,
Espero que a poeira da caixa, o tempo dos homens e a vida do universo me faça feliz novamente num canto,
Vagueando estou por esses cantos e não lhe ter nesse ponto, me faz entender que não preciso lhe apagar dos meus cantos,
Na verdade preciso apenas aprender e entender o quanto e o que herdei de você...
O amor pleno que me fez reconhecer no mundo o que há de mais bonito: a vida, as palavras e os sentimentos!

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Senhas

O cotidiano traz a sensação de que estou entrelaçado a nós, sem a possibilidade de desatá-los, fico perdido no jogo do tempo, tempo passado e futuro se misturam e levam minha alegria que é sempre de ontem ou de amanhã, nunca de hoje. 
Acabo perdido num labirinto de sensações e sentimentos que não sei controlar e não há ninguém que possa me ajudar, tenho mil personas condesadas numa matéria imperfeita, personas gratas outras nem tanto, são tantas que gritam abrigo e pedem a vez que penso em distribuir senhas entre os canais dessa mente confusa, minto para cada uma delas, vou as enganando com sonhos possivelmente remediavéis, doses de lágrimas que regam suas vontades e desejos, lhes dou a vida, alimento esse efeito em cadeia, porque é assim que deve ser para eu aprender e comprender o que está programado para eu ter. 
As senhas estão perdidas em mim e não quero distribuí-las para qualquer que seja o fim, por hora me basta fechar as portas dessa vida, como num cofre que guarda as coisas mais valiosas do mundo, de algum modo, escondido, me coloco no controle dessas personas, me mantenho vivo com minhas próprias migalhas.
Meu corpo, minha contradição, minha terra, meu chão que alimenta muitos desejos de antemão, ensejos que se tornando desejos de mentira, mentiras contadas no clamor do odor de uma  história de atos, lençóis e lenços.
Para todo dia há um momento para amar o universo, essas são as melhores horas, hora para abrir as janelas, rasgar a senha, deixar o ar entrar e levar toda essa dor embora para outro lugar, é a hora de me equilibrar, ouvir os pássaros cantar, o sol rebrilhar e depois ouvir a voz da noite silenciar meu eu e me confortar com as respostas que preciso encontrar, ao menos até um novo despertar, lanço um olhar sobre mim e eu não entendo nada!

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

O último amor romântico

Não quero ter a sorte de um amor tranquilo, mas de um amor bonito,
Quero o sabor constrangedor que me traz a dor e o prazer do amor, 
Quero a sorte de encontrar alguém que não tenha só medos,
Quero alguém que enfrente tudo de frente, até os mais profundos medos dos desejos,
Quero alguém que mate os monstros do corredor, se preciso for...
Quero a sorte de encontrar alguém que não mente, mas reinvente,
Quero a sorte de encontrar o amor da flor e a dor do espinho...
Quero a sorte de encontrar alguém que me confie as costas, para que eu possa escrever de batom as mais belas palavras de amor...
Quero a sorte de poder transbordar, acariciar, remediar, respirar e olhar dormir,
Quero a sorte de ter seu calor, corpo, boca, pele, pelos, desejos e outros ensejos,
Quero a sorte de lhe mostrar como é bom amar, 
Quero a sorte de lhe tirar qualquer vazio e tapar e os buracos que há em seu peito,
Quero ter a sorte de um faraó e lhe tirar a secura desértica que a dor do amor deixou,
Quero ser o rei nesse deserto incerto, plantar o amor e cultivar a flor, 
Quero ter a sorte de amar e ser amado, 
Quero ter a sorte de viver o que ainda não foi vivido,
Quero ter a sorte de lhe olhar profundamente quando a gente se amar!?
Quero ter a sorte de ver nossos olhos brilharem e se encontrarem feito céu e estrela,
Quero ter a sorte do amor mesmo com todos os seus riscos de dor,
Quero ter a sorte de te encontrar assim como nos sonhos de adolescente,
Quero ter a sorte de não errar com você, seja quem for...
Quero ter a sorte de um amor de alegria com uma pitada de tristeza para fazer um amor de muita beleza.
Quero você com todas suas marcas, boas e ruins, 
Quero você, pois não ligo para rótulos que possam ser criados,
Enfim, quero a sorte de um amor, apenas amor verdadeiramente leal.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Santa chuva

As lágrimas são como chuvas torrenciais,
Chuvas que não cessam,
Chuvas que deveriam, mas não levam embora as dores desse amor.
Lágrimas que enfim se secam, sozinhas,
Chuvas que no fim cessam.
Coração fértil procurando respostas,
Terra que cultiva na dor, as respostas pra uma nova forma de amor.